Padre Edwaldo: histórias bem guardadas

A frase que declara o brasileiro como povo sem memória não encontra eco entre a população católica do bairro de Casa Forte e seus arredores. Nessa parte do Recife, dez entre dez fiéis guardam na lembrança um sem número de casos protagonizados pelo padre Edwaldo Gomes, o mais longevo pároco que já passou por essas bandas. Foram 47 anos de trabalho ininterruptos até o dia de sua morte, por falência múltipla de órgãos, em 19 de julho de 2017.  

Padre Edwaldo era um homem de Deus, com olhar atento e humanista, próprio de quem batalha pela promoção de vida digna para todos. É criação dele a Creche Beneficente Menino Jesus, hoje administrada pela prefeitura do Recife, a Casa da Criança Marcelo Asfora, que funciona desde 1991 e a Festa da Vitória Régia, que entra este ano em sua 43ª edição. Bem humorado e bom de garfo, ele era um homem antenado com tudo e com todos.  

A jornalista Franci Palhano recorda um conselho bem dado por ele. “Estávamos numa reunião no salão paroquial e ele percebeu que eu estava triste. No final, ele me procurou. Bateu de leve com a bengala na minha cabeça e disse que eu não me demorasse nos aperreios da vida. Mandou que eu rezasse e me movimentasse, porque problema é para ser resolvido. Dias depois, fui agradecer-lhe o empurrão recebido. E, textualmente, ouvi dele “só não se esqueça de rezar e de se movimentar. Cultivar a tristeza é a pior opção que se toma”. 


A lembrança de Dinamérico Santos tem um quê de histórico. Aconteceu três dias antes de ele ser hospitalizado. “Fui buscá-lo para dar uma benção na festa de Bodas de Ouro dos meus pais. Ele pediu para irmos até à sacristia da Matriz. Chegando lá, ele começou a pegar um monte de coisas. Comentei que não precisava daquilo tudo. A resposta veio rápida, “o padre aqui sou eu”. A benção se transformou numa missa completa. Uma homilia linda que emocionou todo mundo. Acredito que foi a última missa que ele celebrou”. 

Beth Ferreira Alves, coordenadora pedagógica da Casa da Criança Marcelo Asfora, tem histórias jocosas para relatar. “Trabalhamos juntos em muitas festas da Vitória Régia. Não tinha área de serviço, nesse evento, que não rendesse boas conversas. Em um das vezes, informamos ao padre que alguém passou uma cédula de R$ 50,00 falsa. Ele viu e fez o seguinte comentário: “o cara passar uma nota falsa numa festa beneficente! Esse é um verdadeiro picareta”.

A Vitória Régia também é o cenário da lembrança de Francisco Xavier. “Andávamos muito, padre Edwaldo e eu, atrás de patrocínio para a Festa. O prestígio do nosso pároco era tamanho que numa visita à Chesf, o então presidente da empresa, Dilton da Conti, virou-se para ele e confidenciou: enquanto o senhor estiver à frente da Festa, a Chesf não deixará de patrociná-la”.  

A história de Alexandre Carneiro Leão tem muita dor e apoio. “Começa dia 7 de junho de 1998. Meu filho André, 19 anos, cometeu suicídio. Padre Edwaldo estava de férias fora do Brasil. Quiseram avisá-lo, mas Teca e eu não deixamos. Padre Josenildo Tavares, que o substituía, ajudou-nos muito. No dia da volta do nosso pároco e ainda no aeroporto, passando pela burocracia da alfândega, ele é informado do acontecido com a minha família. Imediatamente telefonou para minha casa, por volta das 6 horas e pouco da manhã. Falou com Teca porque eu já estava no trabalho. Em seguida, ligou para mim marcando encontro na casa dele, sábado, logo depois da missa das 19h30. Recebemos dele o conforto que precisávamos naquele dia e em outros mais. Somos e seremos gratos a ele, Eternamente”.

Missa em homenagem

No dia 19 de Julho, segunda-feira, às 18h, em nossa Matriz, teremos uma missa especial em homenagem ao nosso querido Padre Edwaldo. Os fiéis poderão acompanhar a celebração de forma presencial, respeitando todos os protocolos sanitários para evitar a disseminação do novo coronavírus, ou através das nossas redes sociais. Pelo Youtube, Facebook e Instagram da Paróquia de Casa Forte.

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