Mês da Bíblia: Você sabe o que são os Evangelhos Sinóticos?

    Para a Igreja Católica do Brasil, setembro é considerado o Mês da Bíblia. A denominação se dá em razão da festa de São Jerônimo, celebrada no dia 30, santo responsável pela tradução da Bíblia para o latim, versão que é referência para as traduções da Sagrada Escritura até hoje. O Mês da Bíblia nos convida a conhecer melhor a Palavra de Deus, refletir sobre ela e aplicá-la em nossas vidas.

    Os Evangelhos são o centro da doutrina cristã, pois retratam, em quatro narrações diferentes, a vida de Jesus Cristo e seus ensinamentos. São os livros de Marcos, Mateus, Lucas e João. Dentre eles, os três primeiros são chamados de Evangelhos Sinóticos, por guardarem diversas semelhanças entre si. O termo “sinótico” refere-se a sinopse, resumo, o mais importante de alguma coisa. 

    Os textos de Marcos, Lucas e Mateus narram diversas passagens da vida de Jesus de forma bem parecida, na mesma sequência, por vezes com a mesma estrutura de palavras, por isso são chamados de sinóticos. “Por conta desse paralelismo, estudiosos acreditam que esses Evangelhos são claramente ligados entre si”, explica o padre Fábio Paz, pároco da Paróquia de Casa Forte.

    O conjunto dos trechos comuns aos três Evangelhos Sinóticos é chamado de tripla tradição. A narrativa semelhante vai desde o batismo de Cristo até a descoberta do túmulo vazio, bem como algumas parábolas. Esse conteúdo corresponde, por exemplo, a 76% do Evangelho de Marcos. Já Mateus e Lucas compartilham outros trechos entre si, o que é chamado de dupla tradição.


Escrita

    Atualmente, a teoria mais aceita é a de que o Evangelho de Marcos foi o primeiro a ser escrito (a chamada Prioridade de Marcos), por volta do ano 70 d.C., sendo o mais curto dos Evangelhos canônicos, com 16 capítulos. O Evangelho segundo Mateus veio em seguida, no final do século I, usando partes do primeiro. Os dois também se basearam em testemunhas oculares. O Evangelho de Lucas foi o último escrito, com base nos dois anteriores.

Evangelho de João

    Já o Evangelho de João traz outra visão sobre Jesus. Se os três primeiros narram fatos da vida de Cristo em uma visão mais histórica, retratando-o como uma pessoa que se destacava das demais por suas ações milagrosas, João aborda o caráter divino da figura de Cristo. “O Evangelho de João sugere que ele já conhecia os outros três e, como estes narravam a vida de Jesus como homem, o último evangelista abordou seus atributos divinos, como Deus que se fez homem igual a nós em tudo, exceto no pecado”, esclarece padre Fábio. 

    Portanto, os quatro Evangelhos juntos abarcam uma visão completa da vida de Jesus, sua missão e caminhada por diversas cidades, seus ensinamentos, pregações, parábolas, milagres e legado. “Os evangelhos nos apresentam Jesus como a revelação plena do Pai misericordioso, que envia seu Filho para nos salvar dos nossos pecados, e que seguindo os seus ensinamentos, cumpriremos sua santa vontade”, acrescenta o sacerdote.

A Bíblia

    A Bíblia católica reúne um total de 73 livros, sendo 46 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento. O Antigo Testamento conta toda a história do povo de Israel antes de Jesus, enquanto o Novo Testamento narra a vida do Cristo, desde seu nascimento até sua morte na cruz e ressurreição, e os eventos que se seguiram no cristianismo do primeiro século.

    No Antigo Testamento, são abordadas as relações entre Deus e o povo de Israel. Está dividido em quatro partes: Pentateuco, livros históricos, livros sapienciais e livros proféticos. Os cinco primeiros livros, o Pentateuco, falam da origem do mundo e da criação do ser humano, passando pela escravidão e libertação dos judeus no Egito. Sua autoria é tradicionalmente atribuída ao profeta Moisés. No judaísmo, o Pentateuco é chamado de Torá. Já os livros históricos contam a história do povo de Israel após os acontecimentos citados no Pentateuco. Os sapienciais apresentam a sabedoria e a espiritualidade dos israelitas. Por último, os livros proféticos trazem mensagens deixadas pelos profetas a Israel e Judá, em discursos e sermões. É comum fazer-se a divisão entre profetas maiores e profetas menores – não por questão de importância, mas pela extensão dos escritos.

Já o Novo Testamento tem como foco os Evangelhos, que narram a vida de Cristo. A eles se somam livros que abordam a vida das primeiras comunidades cristãs, como Atos dos Apóstolos e as Epístolas Paulinas, Epístolas Católicas, além do livro do Apocalipse. 

A Bíblia em nossa vida

    Para o padre Fábio Paz, os textos bíblicos devem iluminar a vida de todo cristão. “Jesus Cristo falou que: ‘aquele que me ama guardará a minha palavra’ e também, ‘vós sereis os meus amigos, se fizerdes o que vos mando’. A grande prova do nosso amor a Deus é revelada a partir do nosso compromisso em viver sobretudo o evangelho de Jesus”, afirma. “Os textos bíblicos devem influenciar todo o nosso comportamento, especialmente nossas relações interpessoais. O resumo de todos os mandamentos pode ser encontrado no único mandamento que Jesus nos deixou: ‘que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei´", completa.

 


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